O ectrópio é uma alteração palpebral na qual as margens palpebrais são afastadas de suas posições anatômicas ficando invertida. A sintomatologia frequentemente descrita é caracterizada pela epífora, que é o lacrimejamento constante, o olho vermelho, presença de ceratite e a sensação de corpo estranho.
Existe quatro tipos distintos de ectrópio: ectrópio involucional, cicatricial, congênito e ectrópio paralitico.
O ectrópio involucional é mais comum em pacientes com idade avançada, determinado pela flacidez horizontal da pálpebra, a flacidez do tendão cantal medial e a flacidez do tendão cantal lateral.
O ectrópio cicatricial, por sua vez ocorre pela cicatrização ou contração dos tecidos subjacentes devido às inflamações, queimaduras ou lesões incisas.
Existe também o ectrópio congênito, pouco diagnosticado, e por esse motivo mencionado por poucos autores, porém, quando da raridade aparece, geralmente está associado à blefarofimose.
O quarto tipo de ectrópio é o ectrópio paralítico, decorre da paralisia do nervo facial. Essa condição pode ser temporária ou definitiva. Nesse tipo de ectrópio ocorre a diminuição do tônus das estruturas musculares da pálpebra inferior.
O tratamento do ectrópio, resguardado no caso do ectrópio paralitico temporário, é sempre cirúrgico, variando a técnica de acordo com a porção palpebral mais acometida. Como podemos observar na (figura1)

A observação do estado das pálpebras em uma avaliação de lentes de contato é muito importante, os pacientes sem alteração por ectrópio podem usar lentes de contato de qualquer tipo de desenho, mas ao observar a figura 2, nota-se ausência de ectrópio, mas a pálpebra superior está muito caída, tendo outro critério a ser mensurado na escolha do desenho da lente.

Em pacientes usuários de lentes de contato, as alterações decorrentes do ectrópio causam instabilidade e inferem no fluxo lacrimal, complicando o uso e o mantenimento da posição da lente, seja ela rígida ou gelatinosa.
Pacientes com esse problema, geralmente tem que suspender o uso das lentes de contato logo após a adaptação inicial por causa de uma sensação de corpo estranho e a frequente perda da lente.
A única maneira de adaptar lentes de contato é usar como filosofia "adaptação e ajuste" com lentes semi esclerais ou esclerais. Essas lentes não dependem das pálpebras para se manter nos olhos, mesmo assim, o controle que nós profissionais temos que ter nesse tipo de caso é muito grande e importante para que o paciente não venha a sofre danos recorrentes.
Prof. Sergey Cusato Jr. O.D
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. Responsável pela cadeira técnica da disciplina de Contatologia Especial, do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu de Optometria Avançada da
Universidade Braz Cubas. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral
REFERENCIAS
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Kanski J.J., Clinical Ophthalmolog. 6. Ed., Elsevier, 2007.