Relatos
recentes têm demonstrado a presença do coronavírus na conjuntiva de pacientes
internados. A conjuntivite foi reconhecida como um dos sinais que podem ser
manifestados na síndrome respiratória aguda grave causada pelo coronavírus.
Ainda não é possível saber com exatidão quais são as incidências de
conjuntivite em pacientes contaminados, devido aos imensos desafios nessa
pandemia sem precedentes. No entanto, mesmo antes de ser declarada a pandemia,
as principais associações de oftalmologia, entre elas o Conselho Brasileiro de
Oftalmologia e a Academia Americana de Oftalmologia, estavam atentas à
disseminação do vírus e às suas repercussões sistêmicas e oculares. Como
oftalmologistas, temos que estar alertas à identificação de pacientes com risco
de coronavírus para auxiliar os dados de coleta e informação sobre a doença.
Além disso, é nosso dever tomar os devidos cuidados para minimizar os efeitos - em todos os aspectos sociais e sanitários - sobre algo extremamente importante:
a preservação da visão.
O
oftalmologista convive com diversas doenças oculares infecciosas, que
apresentam manifestações em outras partes do organismo. A ceratoconjuntivite
epidêmica, um tipo de conjuntivite que afeta a córnea e a conjuntiva, é a
principal causa de conjuntivite infecciosa no mundo. Ela é causada por
adenovírus e está frequentemente associada a quadros gripais. Uma das
principais características das conjuntivites causadas por vírus é a sua
transmissibilidade. Existem diversos surtos históricos no Brasil de
conjuntivites que se espalharam de maneira assombrosa por diversos estados.
Embora não seja de notificação compulsória, esse comportamento fez com que o
oftalmologista já esteja muito familiarizado com as práticas de proteção individual
dos pacientes e dos profissionais de saúde.
Para
evitar a contaminação pelo coronavírus - ou outros agentes patológicos - deve-se redobrar os cuidados com a higienização das mãos e evitar o máximo
possível levá-las aos olhos. Óculos devem ser lavados frequentemente com água e
detergente neutro. É bom não usar álcool para higienizar esse acessório, pois a
composição química do produto pode danificar as lentes e a armação. Quem usa
lentes de contato está familiarizado com os cuidados necessários para evitar
contaminação, e o líquido usado para higienizar e armazenar as lentes será o
suficiente para matar o vírus, caso ele entre em contato com as lentes. Também
é importante frisar que não há comprovação científica que lágrimas possam
transmitir o vírus.
A
onipresença nas redes sociais e dos aplicativos de mensagem fez com que a
disseminação de informações sobre a Covid-19 - falsas, verdadeiras, positivas e
negativas - tenha ocorrido de maneira vertiginosa. O filtro sobre esse tipo de
informação se tornou um desafio imenso e a orientação para a população sobre
dados reais de maneira serena se assemelha a enxugar gelo. Um exemplo bem
contundente é o uso da cloroquina e azitromicina. Os oftalmologistas conhecem
há muito tempo os efeitos imunomoduladores destes medicamentos. Conhecem também
as doses de segurança e seus efeitos deletérios. No entanto, sabemos como são
importantes os critérios clínicos e científicos rigorosos na abordagem e
tratamento de qualquer doença, e reforçamos constantemente a importância da
ciência no combate à desinformação.
Nas
clínicas do Grupo Opty foram instituídos processos rigorosos para auxiliar o
diagnóstico e acompanhamento de problemas oculares de maneira ultrassegura.
Além da abertura controlada de unidades, espaçamento de atendimento e
protocolos de prevenção para todos os pacientes e profissionais de saúde,
implantamos plataformas diversas de teleorientação e telemedicina.
Um
paciente com irritação ocular e suspeita de conjuntivite pode entrar em contato
com a clínica, realizar uma primeira consulta de teleorientação e telemedicina
em casa. A gravidade do caso é avaliada pelo médico à distância. De acordo com
a avaliação, o paciente pode receber orientações em casa ou ser encaminhado
para o atendimento presencial. Ao chegar à clínica, recebe máscaras e álcool
gel e é atendido de maneira rápida, em ambiente preparado. Nossos pacientes
crônicos e graves, já em acompanhamento, também recebem atenção especial e
monitoramento à distância.
A
pandemia marca um momento de transformação. Mesmo fisicamente separados,
estamos em um momento em que a união é mais importante do que nunca. Juntos,
sairemos mais fortes e mais preparados, apesar das perdas muitas vezes
irreparáveis. Temos que nos apoiar nesse momento de crise que afeta a nós e a nossos
entes queridos. Isso vale não somente para família e amigos, mas para todos
nós, independentemente de fronteiras.
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Este texto é dedicado ao médico oftalmologista chinês Li
Wenliang. Ele relatou os primeiros casos relacionados ao coronavírus e faleceu
aos 33 anos, acometido pela mesma doença. Será para sempre um símbolo da sua
profissão e da liberdade.