Fenomenologia da percepção das cores
Meyer ressalta que na diminuição da luz, os bastonetes tomam a vez dos cones, no crepúsculo, devido à ausência de muita iluminação, as flores antes coloridas tomam a aparência de cinza, isto ocorre com as cores de um quadro nas mesmas condições de iluminação. O córtex da área visual tenta não permitir a interferência da variação de cores devido à mudança de luminosidade no ambiente, e dá exemplo de um vestido, cuja cor não é idêntica sob a luz de uma lâmpada elétrica e sob a luz de velas, mas o córtex visual trabalha para que haja um ajuste cerebral, na impressão do conjunto, evitando-se assim, uma grande discrepância. Meyer informa também que a folha verde conserva sua cor verde em diferentes luminosidades, na aurora ou no crepúsculo, apesar do aumento as ondas longas nos momentos de pouca luminosidade. Desta forma, o cérebro trabalha para criar um universo colorido imóvel, ou pouco móvel.
A imposição cerebral de manter sua escolha frente a fenômenos físicos alternantes, seu mecanismo, é desconhecido. O ganhador do Nobel, Francis Crick, 1994, considera que o ambiente que circunda um determinado objeto colorido é fator determinante para a concepção da cor do objeto, conforme Meyer, 2002:
"... Em L´Hypothèse stupéfiante (A hipótese estupefaciente), Francis Crick (1994), prêmio Nobel, propõe considerar que a cor de um objeto seja definida em relação àquelas que estão ao seu redor, e que um ajuste permanente mantém essa comparação constante: "O cérebro não se interessa tanto pela combinação da reflexão e da iluminação quanto pelas propriedades coloridas da superfície dos objetos... "Ele tenta extrair essas informações comparando a resposta dos olhos em diferentes regiões do campo visual". (Meyer, 2002)
Cor e conceitos genéticos
Segundo Zeki, 2009, as heranças cerebrais que ao receberem os "inputs" geram experiências como reconhecimento de formas, movimentos, profundidade, no caso da audição, informa que heranças cerebrais organizam sons em ritmos e tons, etc.. O que temos por herança não pode ser ignorado, ou descartado, não temos essa liberdade de livre escolha, isto é, uma pessoa com visão normal para cor não pode ditar ao cérebro que cor quer observar ou quando abre os olhos não pode escolher em não enxergar cores, veja, no entardecer ou alvorecer os comprimentos de ondas de energia são mais para o vermelho, mas mesmo assim, nesse momento, ao olhar uma folha, você a vê verde.
Significa dizer que não temos o poder de ditar ao cérebro que queremos ver o verde da folha com tons avermelhados, porque o ambiente, naquele momento, envia mais ondas de luz para o vermelho. O conceito de heranças cerebrais é imutáveis, imutáveis com relação ao tempo e com relação às novas experiências, portanto, a sua percepção de cor, por herança, também é imutável. É um sistema estável, não muda. O que muda é o conceito adquirido, esse muda com o tempo e de acordo com as experiências.
A percepção de cores é dependente do sistema cortical especializado que, por sua vez, é independente de outros sistemas. O sistema de cor tem uma relativa autonomia com relação aos altos sistemas cognitivos do cérebro, conforme Zeki:
"The generation of color, for example, is dependent upon a specialized cortical system that is independent of the systems for generating other kinds of visual or other sensory experiences. As we shall see, the system for color also acts relatively autonomously of the higher cognitive systems of the brain. These characteristics can be well illustrated by reference to the color system of the brain." (Zeki, 2009).
Referências:
Meyer Philippe. O olho e o cérebro. Biofilosofia da percepção visual. Fenomenologia da percepção das cores. Editora Unesp. Pág. 55-57. 2002.
Zeki Semir. Splendors and Miseries of the Brain. Love, creativity, and the quest for human happiness. Wiley-Blackwell. Chapter 3. Inherited Brain Concepts. Pgs. 26, 27. 2009.
Imagem 1:
Disponível em: <https://i.ytimg.com/vi/xx42LVtcmMQ/hqdefault.jpg> . Acesso em: 20/02/2016.
Imagem 2:
Disponível em: < http://warburg.chaa-unicamp.com.br/img/obras/henri-gervex--retour-du-bal.jpg>. Acesso em 20/02/2016.
Imagem 3:
Disponível em:
<https://i1.wp.com/www.redicecreations.com/ul_img/29489DNAface_678x320_front.jpg> . Acesso em: 20/02/16.