As cores e seus símbolos
A sociedade dá a sua interpretação particular a certas cores, influenciadas pela religião, mitos e emoções, sensação versus difração dos fótons. A área cortical V4, é a área da cor, mas não somente isso, nela está impregnada associações neuronais de emoção, percepções sensoriais e de julgamentos. Para os cristões a cor azul celeste remete à imagem da Virgem Maria, o branco é o símbolo da pureza, o verde é a cor do Islã, o ouro é a extração mais nobre da luz para a idade média. A cor pode exprimir maus sentimentos como, o amarelo simboliza a dominação e arrogância, o vermelho exprime vingança. Mas isso muda de sociedade para sociedade; para o oriente o preto indica sabedoria. (MEYER, 2002)
Informa ainda que os cruzados adotaram o preto com o branco, simbolizando que a sabedoria leva à iluminação, em seu símbolo sobre os portais da abadia de Vézelay. A inquisição adota o preto em seu guarda-roupa por assumirem ser o traje conveniente para seu século.
Meyer, 2002, apud Henri Guerlin, 1965, citando trecho de sua obra: "La couleur. Anthologie des citations, relata que as cores revelam os costumes de cada século e cada nação, conforme abaixo:
" ... as cores com que se deleitam cada século e cada nação revelam seus costumes. Todos hoje gostam do preto, próprio da terra, da matéria e do Inferno, sinal de luto e de ignorância. A primeira cor foi o azul-celeste... depois o vermelho da crueldade guerreira e depois as cores variadas das rebeliões; em seguida vem o branco, na época de Jesus, e os batizados vestem o traje branco; daí, passando por diferentes cores, chegando ao preto. O branco voltará, de acordo com a roda do destino." (MEYER, 2002, apud GUERLIN, La Couleur. Anthologie des citations, apud HUYGHE, 1965, p.75)
Visão cromática e os experimentos de Newton e outros gênios.
É curioso saber que animais ditos inferiores como aves, répteis, peixes, abelhas e libélulas possuem visão cromática muito desenvolvida e que os mamíferos em geral não possuem ou poucos possuem visão de cores rudimentar. Dos mamíferos apenas os primatas desenvolveram a visão de cores de forma excelente. (Gregory, 1979)
Como já vimos, em capítulo anterior, nem todo primata possui visão cromática.
O autor nos conta que Newton iniciou os estudos sobre visão cromática em sua obra "The Opticks", 1704, que apesar do tempo, é uma obra que merece ser lida até os dias de hoje, com questionamentos de Newton sobre a física e a percepção humana, que a luz branca é a junção de todas as cores do espectro, a frequência ondulatória da luz, sendo que cada cor possui sua frequência ondulatória.
Imagem II
No artigo anterior - Visão de Cores - Parte V, verificamos que existe o componente genético para a definição das cores, que as cores do ambiente que circunda o objeto alvo da percepção auxiliam na determinação e identificação da cor, vimos também que o córtex visual tenta não permitir que a diminuição da luminosidade do ambiente interfira na cor.
Gregory, 1979, relata que os impulsos neurais não são suficientes para absorver a frequência de radiação no espectro visível, sendo 1.000/segundo o impulso neural contra um milhão de milhões de ciclos por segundos da frequência da luz.
Como será que o córtex enfrentou esse problema?
A partir daí, autores indagaram que a cor é, portanto, uma sensação. Sensação essa determinada pelo Sistema Nervoso Central, que induz a um padrão, isto é, a partir de três cores primárias, a percepção de outras cores se dá no interior do homem, em sua percepção. (GREGORY, 1979)
"Parece quase um truísmo dizer que a cor é uma sensação; no entanto, Young, ao reconhecer francamente essa verdade elementar, estabeleceu a primeira teoria sistemática da cor. Até onde me é dado saber, Thomas Young foi o primeiro que, partindo do conhecido fato de existirem três cores primárias, procurou a explicação desse fato, não na natureza da luz, mas na constituição do homem." (CLERCK MAXWELL apud THOMAS YOUNG, 1773-1829)
Incrível o acesso aos estudos de Clerck Maxwell sobre Young, gênios de sua época, inquietos sobre a natureza das cores e sua percepção.
Estudar cores é também estudar o funcionamento do córtex.
REFERÊNCIAS
GREGORY, R. L.. O olho e o cérebro - psicologia da visão. Cap. 8. Pág. 117-126. Editora Zahar. 1979.
MEYER, P. O olho e o cérebro - Biofilosofia da percepção visual. Fenomenologia da percepção de cores. Pág. 55. Editora Unesp, 2002.
Imagem I
Disponível em: < lunosonline.uol.com.br/historia/historia-das-cruzadas.html>. Acesso em: 24/04/2016.
Imagem II
Disponível em: http://www.biografiaisaacnewton.com.br/2013/12/Experimentos-de-Isaac-Newton-estudos-com-a-Optica.html> . Acesso em: 24/04/2016.