Sem dúvida tem sido motivo de controvérsias as tolerâncias nos eixos das lentes cilíndricas montadas nos óculos.
"Tolerância" não é um termo pejorativo, como alguns procuram enganosamente atribuir. Trata-se de um termo eminentemente técnico. Em tecnologia não existem medidas absolutas. Alguma vezes óculos são devolvidos por oftalmologistas ou até mesmo nós ópticos poderemos ficar em dúvida sobre qual a tolerância nos eixos cilíndricos.
Na verdade as diferenças nos eixos cilíndricos devem ser toleradas desde que não afetem a acuidade visual dos clientes em função da refração feita.
Os erros toleráveis na posição dos eixos cilíndricos não devem ser iguais para todos os valores cilíndricos. Quanto menor for seu poder, maior será a tolerância na posição dos eixos. Também quanto maior for o valor cil. menor será esta tolerância.
Considerando que a lente cilíndrica prescrita é uma lente neutralizadora das ametropias astigmáticas, um erro no posicionamento do seu eixo poderá ser avaliado pela seguinte equação:
Sendo:
Fc = Valor do cilíndrico indesejado
F1 = Valor do cilíndrico original da RX
F2 = Valor do cilíndrico da lente neutralizadora
y = Ângulo correspondente à diferença entre o eixo da RX e o eixo errado da lente neutralizadora
Astigmatismo Miópico
RX = Esf. 0,00 cil. -1,00 eixo 180º
Exemplo: Vejamos qual o astigmatismo indesejado para uma RX 0,00 cil.-025 x 180º cujo erro no posicionamento do eixo é de 7 graus, que é a máxima tolerância permitida internacionalmente.
Aplicando-se a equação acima encontraremos um astigmatismo indesejado de 0,19 diop. o que convenhamos, é aceitável, em comparação com 0,25 da original.
Tolerâncias de eixos fora da prescrição adotadas:
As tolerâncias acima partem do princípio que estes erros absolutamente não afetam a efetividade da acuidade obtida na refração original.
As tolerâncias que me refiro, neste comunicado, são as das lentes já colocadas dos óculos.
Quanto aos óculos com cil. 5,00, por exemplo, deve-se adotar ajustar o eixo monocularmente e com alicate de torcer eixos, olho por olho, com os óculos já adaptados no cliente.
Já tive casos do oftalmologista prescrever descuidadamente -5,50 com eixo 175º. Os óculos estavam exatamente como a prescrição e o cliente se queixava amargamente da falta de visão nítida. Fiz o ajuste manual (com alicate de torcer eixos), ocluindo um olho de cada vez, até encontrar a melhor acuidade. O cliente ficou exultante e sabe onde ficou o eixo? 178º. Soube depois que o médico usava um refrator Greens com divisões de 5º em 5º. Só podia dar no que deu. No outro olho houve a mesma dificuldade.
Falo isto sem vaidades, mas o cliente se admirou que nem o médico nem a óptica tinham resolvido o problema e eu tinha demonstrado que entendia mais do que eles. Evidente que tirando os exageros do cliente ficou uma lição. De todo modo, tolerar 2º em cil. altos não é correto. Nós devemos influir para que estes 2º sejam modificados, no mínimo para 1º. Isto sem falar no ajuste manual que não poderia ser inserido nas tabelas de tolerâncias.
Autor: Ney Dias