Conhecimentos de surfaçagem

Este artigo vem como uma pausa em nossa discussão técnica de construção de lentes. Se você souber responder...

Este artigo vem como uma pausa em nossa discussão técnica de construção de lentes. Se você souber responder, com absoluta certeza às perguntas abaixo, não continue esta leitura:

 

  • Como posso explicar para meu cliente as diferenças técnicas entre a lente de um laboratório e a lente de óculos de camelô?
  • Por que tenho que descentrar esta lente? Como eu faço isso?
  • O que significa óculos de curva oito? Quais as limitações de receituário?
  • Qual o motivo do elevado custo de algumas lentes? Qual o benefício proporcionado por elas? Qual a diferença entre as diversas opções do mercado? E das lentes de adição progressiva?
  • O que são tolerâncias ópticas? Como usá-las?
  • Qual deve ser minha postura como técnico em óptica diante de um oftalmologista ou de um optometrista ao discutir a solução de uma determinada prescrição?
  • Como negociar com o laboratório, orientando sobre qual o resultado que desejo no serviço pedido? Como identificar os eventuais erros do laboratório ou avaliar a qualidade do serviço prestado por ele?
  • Como saber se não estou sendo enganado quanto ao índice de refração de lente que está sendo oferecida?
  • Como escolher entre os diversos diâmetros de lente pronta que são oferecidos no mercado para uma determinada prescrição?
  • Como saber se a melhor opção será uma lente pronta ou surfaçada? Por que?
  • Qual a combinação entre armação e material que oferecerá melhor resultado estético?
  • Como terei certeza dos resultados do que estou oferecendo antes de ter a lente pronta? Posso prever com precisão estes resultados?
  • Recebi uma receita com prisma, o que eu faço? E se forem dois prismas na mesma lente? O que quer dizer tele-sistema? E óculos esfero prismáticos?
  • O que significa manter a base de uma lente? Quais as curvas ideais para uma lente?

 

Estas respostas são normalmente respondidas com propriedade após um longo tempo de experiência, após muitos erros,   acertos e estudos. Posso dizer que para um técnico em óptica atualizado o termo surfaçagem é cada vez mais ultrapassado, ele deve se tornar um conhecedor de tecnologia oftálmica, do projeto construção e aplicação de lentes oftálmicas.

 

A grandes perguntas que enfrento no dia a dia do curso de teoria e prática de surfaçagem são:

  • Por que tenho que aprender tudo isto se meu objetivo é atender o cliente?
  • Por que tantos conhecimentos somente para fazer uma venda, se a maioria das lentes que vendo são lentes prontas e não surfaçadas?
  • Para que serve o conhecimento de surfaçagem?

 

As respostas estão nas perguntas feitas no início deste artigo na compreensão e no entendimento do que não cabe mais a um curso moderno de surfaçagem. Não se pode aprender a fazer lentes sem entender sua estrutura e aplicação.

 

Evite afirmações como estas que diversos colegas e eu registramos ao longo destes anos:

  • O "grau" (a potência dióptrica) da lente mudou porque houve mudança no índice de refração da lente na surfaçagem;
  • O policarbonato é uma lente muito dura;
  • Vai usando estes óculos que com o tempo você se acostuma (numa lente com uma diferença de 3,00 dioptrias prismáticas na vertical);
  • Vamos usar a DP da casa;
  • Ele não está enxergando porque "cansou" o nervo ótico;
  • Sempre fiz deste jeito e nunca ninguém reclamou (será? Não há como fazer melhor?);
  • Esta armação é feita de monóxido de carbono (fumaça?);
  • Não preciso saber de nada, o laboratório deve saber por mim (os laboratórios propõem-se a sempre servir o cliente e é exatamente aí que mora o perigo!!).

 

Se o seu objetivo é criar um diferencial de vendas, oferecer um serviço de qualidade e obter uma justa remuneração de seus serviços, pense bem. Você está pronto para responder a estas perguntas?

 

Continuaremos, ao longo dos próximos artigos, tentando responder as perguntas formuladas acima e falar um pouco mais sobre a tecnologia oftálmica. Mas desde já fica uma recomendação: experiência é fundamental, mas não é suficiente. Estude e se atualize, pois assim é que produzirá um diferencial para alavancar suas vendas e fidelizar seus clientes.

 

Um grande abraço e até a próxima.

 

Alex Dias

 

Alex Dias é Engenheiro, Técnico em Óptica, Docente do Senac São Paulo.
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Fonte: Senac

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