Correção da Presbiopia com lentes de contato monofocais (Monovisão)

Curiosamente esse tipo de correção para présbitas geralmente dá melhores resultados e qualidade de visão...

Curiosamente esse tipo de correção para présbitas geralmente dá melhores resultados e qualidade de visão se comparada às lentes de contato bifocais e até mesmo aos óculos.

Essa técnica é usada por especialistas há mais de 30 anos, sendo um dos mais bem sucedidos métodos de correção da presbiopia e alcançando índices altamente satisfatórios.

Por se tratar de uma técnica de "anisometropia" induzida, pois o técnico especialista corrige um olho para a visão de longe e o outro para a visão próxima, o córtex visual "suprime" uma imagem - a ruim, a favor da imagem nítida, dando ao usuário o foco necessário, conforme sua necessidade.

Fica claro que a visão binocular ficará um pouco comprometida em certos casos, mas a visão periférica ajudará na estereopsia. Sendo assim, podemos afirmar que não há uma supressão ocular completa e sim um processo binocular modificado, pois o olho fora de foco contribui para a visão binocular, variando de usuário para usuário.

São mais indicados para candidatos com idade inferior a 50 anos e com adições inferiores a 2,00 Di. Por isso, a aplicação da monovisão deve ser o mais precoce possível, pois adições baixas são mais aceitáveis e com o decorrer do tempo a assimilação do córtex visual será mais fácil com o aumento da adição.

É latente que a análise da refratometria é de extrema importância, mas em regra geral podemos determinar ou indicar que a correção para longe será no olho dominante e para perto no olho dominado. Naturalmente, existem exceções nesse processo, pois temos de levar em conta as necessidades ocupacionais, recreativas e cotidianas deste usuário, por isso a importância de uma boa anamnese.

Para determinar a dominância ocular, podemos usar uma técnica objetiva, utilizando o ponto próximo de convergência, pois o olho que mantém a fixação é o dominante. Podemos também usar uma técnica subjetiva, pedindo ao indivíduo que por uma argola situada a 50 cm dos olhos, observe um objeto a 6 metros, a letra E 20/200 da tabela de optotipo, por exemplo. Em seguida, oclua alternadamente  os olhos e pergunte com qual olho vê o objeto pela argola. Esse será o olho dominante. Outros testes de dominância poderão ser realizados, mas devemos salientar que não são de inteira confiança. O resultado deverá ser somado com os dados da anamnese.

O sucesso depende de uma boa explicação ao futuro usuário de que a aplicação desta técnica não devolverá a mesma visão de quando jovem, mas o suficiente para levar uma vida normal e que em todo tipo de correção para a presbiopia haverá algum comprometimento visual e um período de adaptação. Este processo de adaptação leva algo em torno de 15 dias, mas há casos em que pode levar até 60 dias.

Algumas orientações são de grande importância neste período de adaptação como, por exemplo, redobrar a atenção ao dirigir, evitando fazê-lo durante a noite e realizar atividades que exigem uma boa visão em ambientes bem iluminados. Para esses casos, o ideal é sugerir óculos compensadores para serem usados sobre as lentes de contato.

Assim como em qualquer adaptação, os retornos para controle devem ser realizados para sanar qualquer problema que porventura apareça e, uma vez solucionado, conscientizar esse usuário da importância dos retornos para acompanhamento.

Parece ser uma técnica muito difícil e complicada, mas com alguma experiência, torna-se um processo relativamente simples e com excelentes resultados.  

Carlos Cesar Suart
Docente do Senac São Paulo, Técnico em Óptica/Contatólogo
Colaborador do MEC e do Ministério do Trabalho e Emprego
 
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Fonte: Senac

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