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Lentes asféricas

Uma característica dos profissionais que trabalham na área de óptica é o estabelecimento de práticas...

Regras de ouro
Uma característica dos profissionais que trabalham na área de óptica é o estabelecimento de práticas que se agregam na rotina do profissional, sem que sua origem fique claramente definida. Eu as chamo de regras de ouro da óptica.

A necessidade de respostas rápidas aos problemas que comumente aparecem na óptica gerou essas regras, as quais funcionam relativamente bem. Eis alguns exemplos:
 
- Para altos astigmatismos recomenda-se somente bifocais Kriptok.
- A diferença entre as distâncias pupilares para perto e para longe é de 2mm.
- A solução para as miopias é a utilização de armações pequenas.
- Lentes asféricas servem somente para hipermétropes.

O problema de algumas regras é que, freqüentemente, originam-se  de experiências e informações incompletas e quase se tornam leis obedecidas sem discussão. Felizmente, os avanços tecnológicos e as pesquisas estão trazendo a oportunidade de reflexão e correção de algumas dessas práticas.

Para dar início à discussão sobre esse tema, farei uma introdução às lentes asféricas em relação à sua correta aplicação.

Lentes asféricas
Em toda lente oftálmica existem aberrações - desvios indesejados dos raios de luz, percebidos como deformação ou embaçamento da imagem. São mais sensíveis ao usuário quando ele olha pela proximidade da borda da lente ou da periferia da armação. Ao tentar visualizar um objeto que se encontra fora de seu campo de visão, diante da presença da aberração ele se vê obrigado a virar a cabeça para obter nitidez, quando muitas vezes bastaria um simples movimento dos olhos. É o que ocorre, por exemplo, quando baixamos os olhos para visualizar algo que está no chão, sem que seja necessário baixar a cabeça.

O objetivo das lentes asféricas é justamente reduzir ou eliminar estas aberrações. Ao ampliar o campo de visão, permite-se um maior conforto. Para construir essas lentes, desenvolveram-se curvas de formato mais complexo e mais planas, com a vantagem adicional de produzir lentes mais finas.

Nas lentes positivas, em que a espessura central é um fator importante, existe uma grande vantagem no emprego das lentes asféricas, porém esta vantagem é mais visível em grandes armações. Deve-se ter cuidado com a aplicação de lentes asféricas sobre o benefício em pequenas armações. O resultado pode não ser muito diferente do emprego de uma lente esférica comum. Tudo tem que ser analisado, a lente asférica de cada fabricante possui uma característica específica que deve ser pesquisada, conhecendo os limites da utilização de cada lente.

É perfeitamente possível a utilização de lentes asféricas em casos de lentes negativas, e, que consegue, além de um melhor campo de visão,  bordas mais finas, se compararmos com as lentes esféricas comuns. Aqui também devemos ter atenção para o tamanho da armação, pois em armações pequenas o benefício certamente não será sensível.

Se seu cliente míope insistir em utilizar uma armação grande, além de um índice de refração maior, procure também utilizar lentes que possuam uma geometria asférica. Você perceberá que existem muitos fabricantes que já a utilizam sem que você se dê conta disto, é o caso de algumas lentes em policarbonato acabadas.

Como se fabrica uma lente asférica? Como entender melhor as aberrações? O que é asfericidade? Quais as diferenças entre as diversas lentes asféricas? A evolução das lentes asféricas: que são as lentes bi-asféricas e as atóricas? Estas são perguntas que responderemos nos próximos artigos.

Alex Dias
Docente do Senac São Paulo, Técnico em Óptica e Engenheiro.
 
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Fonte: Senac

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