No Brasil, se as autoridades competentes mostrassem interesse com a saúde pública, já teriam inserido a atividade da Optometria nos atendimentos básicos de saúde, onde os profissionais optometrista, além de minimizar as filas de exames da visão, estariam fazendo a triagem de prováveis candidatos à cirurgia de catarata e encaminhando-os para a medicina.
CAUSAS de CATARATA: envelhecimento, traumatismo, inflamações, doenças (diabete, rubéola), drogas.
ANOMALIAS CONGÊNITAS NO CRISTALINO:
a) Afacia congênita = Ausência completa do cristalino ao nascimento.
b) Aniridia = Síndrome na qual existe ausência total da íris associada com alterações com pannus corneano, glaucoma, hipoplasia foveal e do nervo óptico.
c) Coloboma do cristalino = Falha no contorno da estrutura do corpo ciliar ou zônula. Por isto provoca "catarata segmentar". É mais comum ser observado na parte inferior do cristalino, podendo estar associado à coloboma da retina, úvea, coróide, íris e pupila.
d) Lenticone = Deformação da lente em forma de cone anterior ou posterior
e) Lentiglobo = Deformação esférica do cristalino anterior ou posterior
f) Microesferofacia = Cristalino pequeno que não se desenvolve por um defeito da zônula. (provoca miopia lenticular).
g) Ectopia lentis = Deslocamento do cristalino por defeito no sistema de sustentação que pode ser congênita, adquirida ou do desenvolvimento. O deslocamento parcial é subluxação, enquantoque a luxação é o deslocamento completo com perda total das fibras zonulares. A ectopia pode estar associada à Síndrome de Marfan, homocistinúria, síndrome de Weill-Marchesani.
h) Ponto de Mittendorf = Resíduo da artéria hialóide observada na cápsula posterior do cristalino, como mancha escura que pode se estender para o vítreo.
i) Estrela epicapsular = Remanescente da túnica vascular da lente que aparece como pigmentos castanhos em forma de estrela na cápsula anterior do cristalino.
j) Anomalia de Peter = É um defeito corneano posterior com opacidade estromal e filetes de aderência na íris. Pode haver aderência da córnea com o cristalino.
CATARATA E CEGUEIRA
Epidemiologia e Prevenção
A catarata é responsável por 50% dos casos de cegueira no mundo.
Estima-se que ocorre em algum grau em 50% das pessoas acima dos 60 anos. Embora não existam, na atualidade, meios comprovados de prevenção do desenvolvimento da catarata, a perda visual pode ser retardada ou curada se houver possibilidade de diagnóstico precoce.
A cirurgia de catarata com implantação de lente intra-ocular, é bastante seguro e eficaz. Contudo, a catarata continua sendo causa importante de cegueira no mundo. Na Índia, por exemplo, existe um acúmulo de 10 milhões de casos por ano e menos de um milhão de pacientes tratados. Em razão da crescente expectativa de vida e aumento da população, estima-se que a cegueira por catarata pode ser triplicada até o ano de 2020.
Mesmo nos EUA, apesar do alto nível de desenvolvimento, a catarata continua sendo a principal causa de cegueira.
No Brasil, poucas são as pesquisas sobre a prevalência da catarata e mesmo da cegueira em geral, por falta de registros específicos e não realização de censos ou estimativas que permitam quantificação do problema a nível nacional. Mesmo com estas restrições, as pesquisas trazem importante contribuição para determinar o impacto socioeconômico e das necessidades imediatas e de longo prazo de serviços assistenciais e preventivos nas comunidades.
Considerando ser a catarata uma condição passível de recuperação por meio cirúrgico, cabe refletir sobre as razões que determinam que seja ainda a principal causa de cegueira no mundo. A responsabilidade maior, certamente recai sobre os governantes.
FATORES DE RISCO QUE CAUSAM CATARATA
Imutáveis: idade, com ligeira predominância em mulheres.
Mutáveis: estilo de vida, nutrição e ambiente são fatores de prevenção. O hábito de fumar e o uso de álcool contribuem para formação de catarata. A exposição ao sol (radiação ultravioleta UV B) é fator que predispõe, ficando na dependência da região geográfica e tempo de exposição.
A diabete representa alto fator de risco quando, com o aumento dos níveis de glicose no sangue, ocasionam um aumento da pressão osmótica provocando intumescência do cristalino.
Por outro lado, muitas drogas podem ser responsáveis pela formação de opacidades na lente. Em fim, a catarata é uma doença multifatorial. Diversos fatores de risco estão associados a diferentes tipos de catarata. O fumo está associado a risco de catarata nuclear. Exposição ao sol, diabete, consumo exagerado de álcool e alguns fármacos formam opacidades subcapsulares.
Conduta do optometrista
Na avaliação do paciente com suspeita de catarata algumas informações são importantes na orientação do encaminhamento para a medicina:
- A opacidade do cristalino corresponde ao grau de visão do paciente?
- As atividades do paciente estão reduzidas a ponto de precisar de cirurgia?
- A opacidade da lente é secundária a alguma doença sistêmica ou alteração ocular?
- A correção com lentes é satisfatória para a vida do paciente e corresponde a suas necessidades profissionais ou mesmo com correção óptica a visão determina queixas na qualidade de vida ou na acuidade visual ou visão cotidiana?
HISTÓRIA CLÍNICA
Diminuição da acuidade visual
A catarata só é relevante se causar diminuição da visão provocando desconforto ou atrapalhando as atividades diárias da pessoa.
Localização da catarata
Catarata sub-capsular posterior mesmo em pequeno grau pode causar baixa de visão importante.
Opacidades nucleares causam miopização e costuma melhorar a visão de perto por algum tempo. A situação é chamada "segunda visão".
Cataratas corticais tendem a manter boa visão até que o eixo visual esteja totalmente comprometido, o que pode demorar.
Ofuscamento
Os portadores de catarata normalmente queixam-se de embaçamento que pode piorar conforme a claridade, dificultando a visão durante o dia ou para dirigir a noite. São sintomas de catarata subcapsular posterior.
Miopização
O desenvolvimento da catarata pode aumentar o poder dióptrico do cristalino, causando algum grau de miopia e favorecendo a visão de perto. Quando as opacidades são assimétricas, provocam anisometropia e são indicativas de cirurgia.
Diplopia monocular (visão dupla)
Às vezes, a catarata provoca opacidade no centro do núcleo do cristalino de um olho, ocasionando uma refração diferente podendo provocar uma diplopia monocular.
Tratamentos alternativos
Nenhum medicamento teve sua ação comprovada na prevenção, tratamento ou retardo no desenvolvimento da catarata.
A única alternativa é uma refração personalizada que possa melhorar a visão por algum tempo, até que a progressão da doença cause sintomas adicionais e incapacitantes que indiquem necessidade de cirurgia.
Testes de função macular
A medida da acuidade visual para perto fornece dados importantes em relação à função macular. Determinadas doenças degenerativas senis causam a diminuição da visão de perto. Um indivíduo com catarata leve ou moderada, normalmente apresenta acuidade visual de 20/20 ou J/1 para perto. Acuidade visual pior ou inferior caracteriza indícios de alteração macular.
Após a refração, com o paciente utilizando sua correção para visão longe, determinar qual linha na tabela que atinge com sua correção. Projetando um estímulo luminoso (lanterna ou oftalmoscópio), direto na pupila do paciente por alguns segundos, a pessoa ficará sem visão momentaneamente, em virtude do desgaste da química dos cones e bastonetes provocado pela luz. O tempo de recuperação necessário para que os fotorreceptores estejam reativados e voltem a ler a linha correspondente a sua acuidade visual habitual, está em torno de 50 segundos ou menos em olhos normais. Valores maiores podem indicar doença macular. Outras patologias como doenças de cones e bastonetes, DMRI, retinopatias, toxicidade por cloroquina e retinose pigmentar, aumentam o tempo de recuperação após o estímulo, caracterizando suspeita de danos da retina.
O reflexo pupilar aferente avalia as vias ópticas aferentes. É um teste de fácil realização e objetivo. Determina a integridade dos fotorreceptores, dos interneurônios, das células ganglionares e dos axônios do nervo óptico. A amplitude do reflexo pupilar à luz, mede a sensibilidade dos fotorreceptores. Sua amplitude está diminuída proporcionalmente ao dano da retina ou do nervo óptico.
Projeta-se um estímulo verde ou vermelho através de um filtro, no olho com catarata, perguntando se o paciente pode identificar as cores. Se for capaz de visualizar as cores, a função macular provavelmente está intacta. Em cataratas muito densas existe dificuldade neste exame.
Prof. Vilmario Antonio Guitel
Presidente de Honra CROOSP
CROOSP 000.03
CBOO 050
Técnico em Óptica - SENAC SP
Bacharel em Optometria - UNC SC
Pós Graduado Alta Optometria - UNC SC
Graduação em Docência do Curso Superior - UNC SC