Influência da curva-base na espessura da lente

Artigo Artemir Bezerra para Ópticanet

Atualmente os clientes de óculos têm priorizado a estética de seus óculos, muito mais, em alguns casos, que a técnica. Os míopes são os mais exigentes neste quesito e não toleram lentes espessas e feias. Os profissionais que confeccionam os óculos necessitam estar atentos a diversos fatores que contribuem para a diminuição da espessura das lentes oftálmicas. Um dos fatores que influenciam na diminuição da espessura de uma lente são as curvas, vou mostrar um exemplo de como a escolha certa da curva-base da lente permite menor espessura.

Dioptria: ? 3,00 esf.
Índice de refração: 1,499
Diâmetro: 60 mm
Espessura mínima (centro): 2 mm

Como o índice de refração em questão é diferente do índice de refração da ferramenta (molde = 1,530), faz-se necessário fazer a conversão da dioptria antes de calcular as curvas adequadas.
A conversão é feita multiplicando a dioptria da RX pelo fator de conversão-FC. O fator de conversão do índice de refração 1,499 é 1,06.

 

As curvas adequadas da lente serão calculadas em função da dioptria ? 3,18, após a conversão, como veremos a seguir.

 

A seguir vamos calcular a profundidade de vértice ou ságita das curvaturas externa e interna da lente.

Calculando a ságita da curva externa:

                      

Calculando a ságita da curva interna:
 
 
A espessura máxima da lente é igual a maior ságita menos a menor, mais a espessura mínima. Veremos.

 

Resumo: 5,14 mm é a espessura máxima da lente confeccionada na curva-base 4,00 D.

Agora vamos calcular a espessura máxima de uma lente com a mesma dioptria (? 3,00 D) confeccionada na curva-base 6,00 D.
Como o índice de refração é o mesmo já sabemos qual é o resultado da conversão da dioptria. Utilizando a curva-base 6,00 D, as curvas ficam assim:

 

A seguir vamos calcular a profundidade de vértice ou ságita das curvaturas externa e interna da lente.

Calculando a ságita da curva externa:

 

Calculando a ságita da curva interna:

 

A espessura máxima da lente é igual a maior ságita menos a menor, mais a espessura mínima. Veremos.

 

Resumo: 5,43 mm é a espessura máxima da lente confeccionada na curva-base 6,00 D.

CONCLUSÃO:

A dioptria de ? 3,00 D confeccionado na curva-base 4,00 D ficou no final com espessura máxima de 5,14 mm, enquanto que a mesma dioptria confeccionada na curva-base 6,00 D ficou com espessura máxima de 5,43 mm.
Concluímos que a espessura máxima sofre influência direta da curva-base.
Verificamos também que esta é a forma mais difícil de calcular a espessura máxima de uma lente, porém, a mais precisa. Na prática, os Ópticos preferem a maneira mais simplificada, mesmo porque, a diferença é bem pequena e não fará diferença efetiva para o cliente no final, salvo nas dioptrias muito altas.
É importante também lembrar que os laboratórios, mesmo os mais equipados tecnologicamente, continuam dependendo diretamente da influência de excelentes profissionais.

FICHA TÉCNICA:
Elaboração: Artemir Bezerra
Fonte: ARTEMIR, Bezerra Silva. Óptica Oftálmica Aplicada. Salvador. 1 ed. 2013.
Fonte: Artemir Bezerra

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