Portal Opticanet
07/02/2019 07:05
Colunas & Artigos
O aprendizado depende da visão, ou a visão depende do aprendizado?
Artigo Vilmário Antonio Guitel para Opticanet
Na verdade, a visão é um aprendizado. Ninguém nasce com visão completa como se observa nos adultos. O amadurecimento de todo o aparato que coordena a visão, embora ao nascimento esteja todo elaborado, vai amadurecendo e se estruturando conforme o desenvolvimento e a própria aprendizagem do dia a dia de tudo o que se vê, e que será armazenado em núcleos cerebrais que irão compor a memória visual.

Todos os sentidos nos fornecem importantes informações para o aprendizado, contudo é a visão que encaminha o maior número de informações ao cérebro, que, em conjunto com a audição, tato, paladar, olfato e inclusive a sinestesia, formam o valioso conteúdo para quem precisa estudar para aprender. A visão fornece em torno de 85 a 90% de todas as mensagens que integram e envolvem o aprendizado. Por isso mesmo, existe enorme importância nos cuidados com a visão das crianças, sobretudo nas fases pré- escolar e durante todo o período acadêmico, com a finalidade de avaliar e corrigir quaisquer defeitos da visão, visto que, por menor que sejam, podem comprometer o desenvolvimento e o aprendizado. 

Existem frequentes ocasiões em que tanto professores como os próprios pais de alunos se debatem com crianças que apresentam dificuldades no aprendizado. Às vezes não aprendem a ler, pulando linhas na leitura, trocando letras, dificuldade na escrita, alunos sem concentração, que não param quietos na cadeira, alguns pouco sociáveis, sentem dificuldades nos esportes, além de outras condições que inquietam educadores, professores, psicólogos e sobremaneira os pais e o próprio aluno que acaba sendo cobrado por algo que ninguém apresenta um motivo justificável para sanar sua dificuldade. 

Esta matéria, deve, com certeza, interessar muito ao educadores e também a quem cuida de visão. No caso, educadores, professores, psicólogos, oftalmologistas, optometristas e, sem dúvida, pais e alunos. Estes em especial pois são quem mais sofrem com a situação.

No Brasil, parece que o assunto é pouco debatido. As escolas se restringem a enviar alunos que apresentam defeito de visão mais aparente e severo ao oftalmologista. Infelizmente, nem sempre será este o profissional que poderá ajudar ou diagnosticar o problema de forma personalizada para eliminar ou corrigir estes transtornos. 

Nos Estados Unidos, no ano de 2001, na Escola de Pós Graduação em Educação, em Harvard, foi realizada uma conferência sobre a problemática "VISÃO E EDUCAÇÃO". O evento foi organizado por um professor da própria Escola de Pós Graduação em Educação e por uma Optometrista Comportamental atuante no serviço de Saúde que presta serviço de visão em crianças. Enquanto o profissional da Educação, Dr. Orfield, observava a questão do lado educacional e da pobreza, o outra, especialista em visão, a optometrista, Dra. Antônia, levantava o problema sobre a questão da Saúde Visual e de todos os aspectos que envolvem comprometimento do aprendizado, produzidos por transtornos do eixo cérebro/visão, inclusive envolvendo a pobreza, genética e o desenvolvimento.
 
Desta forma, por um dia foi removida a cerca que separava optometristas de educadores, e eles puderam compartilhar, numa visão ampla da questão, elevando a discussão em torno de pessoas que por um lado se preocupam com a visão e por outro, com pessoas preocupadas com a educação. 

Mesmo sendo patrocinada pela Harvard Escola de Pós Graduação em Educação, o foco ficou na optometria. Por isto, 11 optometristas participantes apresentaram trabalhos, definindo a visão e as limitações das exibições da visão baseadas na escola, apresentando uma posição saudável de realidade com visões gerais de projetos que delineiam a extensão dos problemas de visão em populações pobres e suas correlações com o mau desempenho acadêmico. 

Outro optometrista, Dr Zaba, ampliou a perspectiva descrevendo a relação entre os problemas de visão não detectados, com o analfabetismo e a delinquência. Enquanto que um reconhecido especialista, Dr. Ciuffreda, levantou a bandeira da legitimidade da Terapia Visual como uma modalidade de tratamento eficaz, nos casos em tela, na perspectiva de um cientista da visão objetiva e orientada quantitativamente.

Muito importante foram as apresentações de três optometristas envolvidos ativamente em programas escolares que fornecem serviços de Terapia Visual a alunos com deficiências visuais diagnosticadas. Todos os tratamentos são baseados em identificar déficits visuais, fornecer tratamento e medir os resultados, tanto visuais como acadêmicos. Foram questões difíceis na formulação de seus projetos a fim de equilibrar o atendimento ao paciente e a validade do componente de pesquisa. Cada um destes projetos trouxe luz, mostrando novos caminhos sobre o tema "Visão e Aprendizado". 

O público não mostrou dificuldade no entendimento sobre as questões, mas muitos dos educadores e administradores escolares presentes, falaram de suas frustações associadas a tentativas de obter serviços de visão para seus alunos. Porque o resultado sempre foi se resumindo em evasivas sobre: qual o custo e qual o retorno esperado do investimento? Esta perspectiva de visão e aprendizagem é muito diferente daquela da grande maioria de optometristas, particularmente dos comportamentais, pois estes vêm na criança uma condição clínica única, individualizada e que requer tratamento personalizado, singular e ímpar.
 
Finalmente, se existe um projeto visando demonstrar a importância da visão na aprendizagem, será preciso colocar este teor na tela do radar dos educadores, das autoridades, dos políticos, talvez até dos pais, na tentativa de provocar uma mudança na perspectiva da própria Saúde Pública. A guerra da Optometria contra o fracasso acadêmico por fatores de coordenação da visão com os demais sentidos que contribuem na aprendizagem, deve adotar uma estratégia de pesquisa baseada em uma agenda legislativa.
 
Em vários estados americanos, um em especial, Kentucky, foi o primeiro estado a exigir que as crianças passem por um exame de visão abrangente antes de entrar para a escola, situação onde, em exames preliminares, foram descobertas e indicaram um número maior de crianças do que o esperado com problemas significativos de visão. Atualmente muitos estados americanos estão propondo uma legislação semelhante. 

E no Brasil, seria possível uma Legislação similar, que elevasse o nível dos Serviços de Visão em crianças que entram nas escolas e até dos que já estão estudando e apresentam baixo nível de aprendizado, tornando os exames de visão obrigatórios? 

Com certeza é um assunto dos mais relevantes para o crescimento intelectual e acadêmico de um país, sobretudo para nivelar os alunos na questão do avanço nos estudos e não deixar para trás alguns, que por apresentarem transtornos, acabam sendo considerados menos inteligentes, afastando-os da possibilidade do crescimento do conhecimento intelectual mais adequado. A situação pode gerar bullying e até depressão na criança.
A Optometria Comportamental pode e deve ser colocada como coadjuvante neste importante segmento da atividade que coordena EDUCAÇÃO E VISÃO. 

Com certeza, o pontapé inicial precisa ser dado pelos representantes da Saúde Pública (Ministério da Saúde) e da Educação (Ministério da Educação). Ou por um político que mostre interesse pela educação dos brasileiros. Quem se candidata?

Professor Vilmario Antonio Guitel - CROOSP 02.0003
* Bacharel em Optometria - Universidade do Contestado - Canoinhas SC
* Pós Graduação Magistério do Curso Superior - UNC - Canoinhas SC
* Pós Graduado em Alta Optometria - UNC - Canoinhas SC
ESPECIALISTA:
Técnico em Óptica - SENAC SP
Técnico em Óptica e Optometria 
* Especialista pela FIPE na CBO do Ministério do Trabalho e Emprego
Optometrista Pediátrico ? UNC Canoinhas SC
Optometrista Comportamental - Instituto Thea - Florianópolis SC
Neuroptometrista - Instituto Thea ? Florianópolis SC
Desenvolvimento Cerebral Infantil - Instituto Thea -  Florianópolis SC
Terapeuta Visual - Instituto Thea -  Florianópolis SC
Fototerapia Syntonic - Instituto Thea -  Florianópolis SC

Fonte das informações: 
Matéria Publicada com o Título: BABY STEPS (PASSOS DE BEBÊ)
Autor Correspondente: Rochelle Mozlin, OD, USA
Tags: Vilmario Antonio Guitel, Optometrista, visão, olhos
https://opticanet.com.br/