Portal Opticanet | 05/02/2016 05:02/2016 | Colunas & Artigos
Visão de cores - Cones e Bastonetes - (Parte III)
 
Artigo Rosa M. Z. Berzghal para Opticanet
 
Artigo 3

Vantagens no daltonismo

Enxergar colorido é uma exceção entre os mamíferos. Muitos primatas possuem daltonismo, não enxergam todo o espectro das cores:  azul, vermelho e verde (cores fundamentais). Mas os primatas do velho mundo (Europa, Ásia e África) são tricromatas e os do novo mundo (Américas) uns são tricromatas e outros não.  Alguns estudiosos apontam que enxergar cores auxilia na visão de frutos, alimentos, etc..  Daniel Pessoa, líder da pesquisa da UFRN, discorda, para ele não existem evidências de que a cor auxilia o primata a encontrar alimentos escondidos. Pesquisadores fizeram experiência em pessoas com visão de cores e pessoas daltônicas, o teste revelou que os daltônicos demoraram 5 segundos a mais para a identificação de predadores nas imagens apresentadas. (Moutinho, 2014)
Para Pessoa, o que levou ao tricomatismo em primatas seria a necessidade da identificação de predadores e nem tanto a procura de alimentos na selva. Para a detecção de alimentos coloridos na selva, a vantagem parece ser a dos daltônicos. Para o acasalamento,  a visão de cores das genitais da fêmea parece não ser fator primordial, já que o brilho percebido é um identificador importante dessa percepção tanto em indivíduos daltônicos quanto tricomatas, sem falar dos feromônios.
Ficou evidenciado nas pesquisas de Pessoa que os tricomatas possuem maior percepção de contraste do que os daltônicos. 

Gostaria de deixar meu ponto de vista, aplicar experiências em humanos modernos com daltonismo e os não daltônicos é diferente da percepção do primata daltônico ou tricomata, o ambiente que o tricomata vive o leva a aumentar a sua percepção para determinados fins, como a obtenção de alimentos, detecção de fêmeas no cio, visualizar predadores, coisas que nosso cérebro não está mais "treinado” para isso. Os resultados seriam os mesmos para indivíduos tão diferentes vivendo em habitats tão desiguais? Acredito que não. O cérebro é que, com grande maestria, nos dá a percepção visual, informações vindas da retina, sim, mas a capacidade de enxergar, de acordo com várias necessidades, vai muito além, envolve experiências pessoais, grupais, emocionais, vias neurais, portanto, tudo tem que ser também avaliado no quesito neural.


Adaptação ao claro e ao escuro

Os cones e bastonetes se assemelham em suas  substâncias fotossensíveis, suas composições químicas, diferenciando apenas na parte proteica, as opsinas, nos cones chamado de fotopsinas e nos bastonetes de escotopsinas. Nos cones a combinação de retinal e fotopsinas determina seus pigmentos cromatossensíveis. Para os cones, existem três tipos de substâncias fotossensíveis. Cones com substâncias fotossensíveis para o azul, outros para o vermelho e outros para o verde. Um tipo de pigmento para cada cone, portanto, os cones com pigmentos azuis possuem picos de absorbância de 445nm, já os de pigmentos verdes de 535 nm e para os de pigmentos vermelhos de 570 nm, desta forma haverá a diferenciação das cores. O retinal é igual tanto para  cones quanto para os bastonetes, na exposição dos olhos à luz, haverá  a diminuição das substâncias fotossensíveis nos cones e bastonetes,  retinal e opsinas. O retinal se converterá em vitamina A, com isso haverá a queda das substâncias fotossensíveis para que a percepção do excesso de luz seja reduzida,  a adaptação ao claro, facilitando o resultado da visão na claridade.
 
Quando o oposto ocorre, isto é, a visão é exposta à escuridão, em  ambientes pouco iluminados, as opsinas e o retinal se transformam em pigmentos fotossensíveis, nos cones e bastonetes, sendo que o retinal é reproduzido a mais, pois a vitamina A se transforma em retinal,  existe nesta circunstância a necessidade de maior produção de substâncias fotossensíveis, para que em ambientes com pouca luz, a visão seja capaz de captar as informações do ambiente, aumentando a capacidade de percepção visual no escuro, havendo a adaptação ao escuro.  A adaptação ao escuro é muito veloz, um minuto no escuro e a sensibilidade aumentará dez vezes, se em vinte minutos, a adaptação ao escuro será de até 6000 vezes, se a pessoa ficar no mesmo ambiente escuro por quarenta minutos, essa sensibilidade será aumentada para até 25000 vezes.  Os cones se adaptam quatro vezes mais rápido do que os bastonetes, mas os bastonetes mantém a constância na adaptação, podendo ficar muito tempo, mesmo horas, na adaptação ao escuro. (Guyton, A.C., 2ª. Edição)
Os pigmentos dos cones são sensíveis ao azul, verde e vermelho, mas o olho humano detecta muitas cores devido à mistura destes.

A constância das cores é obtida através da matemática neural, o ajuste neural, para que a percepção da cor se mantenha apesar da alteração da luz do ambiente.

Protanopia é a não percepção da cor vermelha, a pessoa é cega para o vermelho porque os cones com pigmentos vermelhos não existem para essa pessoa. 

Deutanopia ocorre na ausência dos cones verdes, a pessoa é cega para o verde.

No artigo anterior, falamos sobre a transmissão genética desse fator em grande parte aos homens, cegueira do vermelho-verde relativo ao cromossomo "X”, transmitido pelas mães, em que raramente a mulher apresenta daltonismo, ocorrendo apenas em 8% dos casos.

Os cones com pigmentos azuis existem em menor quantidade que os cones verdes e vermelhos e a ausência deles é muito rara, caso ocorra, é por fatores genéticos.

Tritanopia é a ausência dos pigmentos azuis. 

No próximo artigo falaremos um pouco sobre o teste de Ishihara.


Dados Bibliográficos

MOUTINHO, S. Sobrevivência colorida. Ciência Hoje. Instituto CH. Publicado em 29/08/2014. Atualizado em 01/09/2014. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/sobrevivencia-colorida
GUYTON, A.C.. Neurociência Básica, Anatomia e Fisiologia, O Olho, II. Funções Receptora e Neural da Retina. Guanabara Koogan. 2ª. Edição.
Imagem  Disponível em <http://www.grzero.com.br/http://s645.photobucket.com/albums/uu173/renatoferrazz/grzero/2009/2011/04/cubo_magico.jpg> . Acesso em 26 de dezembro de 2015.
 
Tags: Rosa M. Z. Berzghal, olhos, visão, optometria
 
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(Acesso em: 25/05/2024)