Cientistas australianos afirmam estar a um passo de criar em laboratório cristalinos artificiais, as lentes dos nossos olhos. Pela primeira vez, foi possível isolar e purificar célula do epitélio do cristalino, o tecido embrionário a partir do qual o cristalino se desenvolve. A pureza das células abre caminho para sua futura aplicação na medicina regenerativa, que ambiciona desenvolver órgãos humanos ou restaurar aqueles que apresentam falhas.
O isolamento das células epiteliais do cristalino foi feito por Tiziano Barberi e Isabella Mengarelli, da Universidade Monash, na Austrália.
Cristalino artificial
De posse de suas células puras, o primeiro passo realizado pelos cientistas foi fazê-las se diferenciar nas lentes do cristalino. Segundo os pesquisadores, o próximo passo da pesquisa é passar dos discos de Petri para criar uma lente mais parecida com o cristalino humano. "As células do cristalino que criamos no disco de Petri organizam-se de forma diferente do que ocorre no olho humano. O próximo desafio é imitar a natureza de forma mais perfeita," disse o Dr. Barberi.
Cirurgias oculares
Mesmo antes que seja possível recuperar olhos danificados ou desenvolver cristalinos artificiais, o novo material promete ser um banco de testes para novos medicamentos oculares. Um segundo passo seria usar o epitélio artificial para a recuperação de pacientes submetidos a cirurgias oculares. "O cristalino tem uma capacidade relativa de se recuperar depois de uma intervenção cirúrgica. Entretanto, como no caso da catarata congênita, o problema está associado ao DNA, de forma que a lente do olho cresce novamente com o mesmo problema," disse o Dr. Barberi.