Celebrado em 29 de agosto, o Dia Nacional de Combate ao Fumo foi criado por uma lei federal em 1986 e tem como objetivo conscientizar sobre os riscos decorrentes do uso do cigarro. Hoje, a aprovação de medidas antifumo segue uma tendência global, considerando o tabagismo um problema de saúde mundial já que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele é a principal causa de mortes evitáveis no mundo e o fumo passivo, a terceira maior causa. A estimativa é que aproximadamente 200 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência do hábito. Entre os problemas provocados ou agravados pelo fumo, estão as doenças respiratórias, cardiovasculares e cânceres. Poucos, porém, têm consciência de que o tabagismo também interfere na saúde ocular.
O Dr. Renato Braz Dias, médico referência em Retina e Vítreo do Grupo INOB, empresa do grupo Opty no Distrito Federal, adverte que fumar aumenta em duas ou três vezes o ritmo de progressão da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) em sua forma exsudativa. A DMRI é uma doença da retina que provoca perda progressiva da visão central. Além disso, os fumantes correm duas vezes mais risco de ficarem cegos pela doença. "A degeneração macular nos fumantes está ligada à exposição ao tabaco. Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o dano à visão", afirma ele.
O especialista acrescenta que fumantes passivos - aquela pessoa que não fuma, mas convive com fumantes em ambientes fechados - também correm riscos de desenvolver doenças relacionadas ao tabaco. "Esses indivíduos também podem apresentar uma piora nas doenças maculares, com aumento do risco de infartos retinianos, tromboses, além do agravamento da retinopatia diabética e hipertensiva." O uso do cigarro também está associado a diferentes problemas de visão, como a degeneração macular, o glaucoma e mesmo o surgimento de catarata. "Essas condições decorrem de danos causados às estruturas internas do olho, como a retina, o nervo óptico e o cristalino. O tabaco também piora quadros de alergias e aumenta as chances dos não-fumantes de sofrer de Síndrome do Olho e ainda causa desconforto para quem usa lentes de contato", completa.
Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Farmacêutica Gifu, no Japão, e publicado em 2021 na Scientific Reports, aponta que a fumaça produzida pelo cigarro gera um acúmulo de ferro que mata as células epiteliais da córnea, o tecido transparente que protege os olhos, absorve nutrientes e oxigênio das lágrimas, além de proteger contra infecções. A mesma reação foi observada com o aerossol produzido pelos produtos de tabaco aquecido (PTA), que, mesmo diferente dos cigarros eletrônicos, também exigem um dispositivo para o uso. Para chegar à conclusão, os pesquisadores expuseram culturas de células do epitélio da córnea humana ao extrato de fumaça de cigarro e aerossol de tabaco aquecido, que continham a maioria dos ingredientes inalados por fumantes. Após 24 horas de exposição, o número de células mortas nas culturas expostas foi maior do que nas que não interagiram com as substâncias. "A fumaça dos cigarros fere o epitélio, que é a camada mais superficial, capaz de se regenerar, por isso os danos não são permanentes. Entretanto, se exposição for contínua, pode provocar uma lesão na córnea e levar a problemas mais graves", explica o Dr. Renato.
O médico observa que os cigarros eletrônicos também são prejudiciais à saúde ocular. Levantamento feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, no EUA, com mais de 1 milhão de pessoas entre 18 e 50 anos, mostrou que a fumaça do cigarro eletrônico aumenta em 34% o risco de problemas oculares em seus usuários. A conclusão foi publicada na revista científica American Journal of Ophthalmology. Esse dado acende um alerta entre os brasilienses. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2019, e divulgada em 2021, aponta que o Distrito Federal lidera o ranking nacional na proporção de adolescentes, entre 13 e 17 anos, que já usaram cigarro eletrônico - quase 31% já experimentaram o produto. Mesmo sendo proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, a comercialização destes produtos ocorre de forma ilegal no país. "Já foi demonstrado que o uso desses dispositivos eletrônicos está diretamente relacionado ao aumento do risco de levar os jovens ao tabagismo, a potencial de dependência e diversos danos à saúde, incluindo a saúde ocular. Porém é bom lembrar que o desenvolvimento das doenças oculares depende de outras variáveis, como a herança genética. O tabaco é um fator de risco que pode ser eliminado, beneficiando a melhora da saúde em geral", conclui o Dr. Renato Braz Dias.
Sobre o Opty
Desde 2016 o Grupo Opty agrega 25 marcas associadas, 79 unidades, 1300 médicos oftalmologistas e 2800 colaboradores atuando em todas as regiões do país. Além das marcas próprias HOBrasil (BA, DF, RJ e SP) e Centro Oftalmológico Dr. Vis (DF, PE, RJ e SC), fazem parte dos associados: o Hospital Oftalmológico de Brasília (DF), Hospital de Olhos INOB (DF), Hospital de Olhos do Gama (DF), Visão Hospital de Olhos (DF), Instituto de Olhos Freitas (BA), o DayHORC (BA), Instituto de Olhos Villas (BA), Oftalmoclin (BA), Hospital de Olhos Santa Luzia (AL), Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem (SC), Centro Oftalmológico Jaraguá do Sul (SC), Sadalla.Smart (SC), HCLOE (SP), Visclin Oftalmologia (SP), EyeCenter Oftalmologia (RJ), COSC (RJ), Oftalmax Hospital de Olhos (PE), UPO Oftalmologia - Unidade Paulista de Oftalmologia (SP), HMO - Hospital Medicina dos Olhos (SP), Visão Center (PE), OftalmoDiagnose (BA) e CEOP - Centro de Olhos do Pará (PA).