Saúde | Visão

H.Olhos registra aumento de 23,7% nos atendimentos relacionados ao ceratocone

Alta observada nos primeiros meses do ano reforça alerta do Junho Violeta para diagnóstico precoce e acompanhamento oftalmológico condição afeta principalmente adolescentes e adultos jovens

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Alterações visuais nem sempre são percebidas de imediato, podendo ser associadas ao cansaço ou problemas refrativos. O H.Olhos registrou aumento de 23,7% nos atendimentos relacionados ao ceratocone, ressaltando a importância do diagnóstico precoce. O ceratocone é uma alteração progressiva na córnea que afeta a qualidade visual, com estimativa de 150 mil novos casos por ano no Brasil. Sintomas como visão borrada e sensibilidade à luz indicam a necessidade de avaliação oftalmológica para identificação precoce e acompanhamento do problema.

Alterações visuais nem sempre chamam atenção logo no início. Visão embaçada, imagens distorcidas e mudanças frequentes no grau dos óculos costumam ser associadas ao cansaço ou a problemas refrativos comuns, adiando a procura por avaliação especializada. 

Em levantamento para as ações do Junho Violeta, campanha de conscientização sobre o ceratocone, o H.Olhos registrou aumento de 23,7% nos atendimentos relacionados à condição - considerando o período de janeiro a abril de 2026, em comparação com os mesmos meses do ano anterior -, cenário que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico regular. 

O ceratocone é uma alteração progressiva que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho e fundamental para a formação das imagens. Ao longo da evolução, esse tecido sofre afinamento e mudança de curvatura, assumindo formato irregular que compromete a qualidade visual. Estima-se que cerca de 150 mil brasileiros desenvolvam a doença todos os anos, com identificação mais frequente entre os 10 e os 25 anos de idade, faixa etária em que o acompanhamento oftalmológico merece atenção redobrada. 

O Dr. Klaus Anton Tyrrasch, oftalmologista especialista em Córnea e Doenças Externas Oculares do H.Olhos, explica que um dos principais desafios está justamente na evolução silenciosa do quadro. "Nas fases iniciais, muitos pacientes interpretam os sintomas apenas como alteração do grau ou necessidade de trocar os óculos, sem perceber que existe uma mudança estrutural acontecendo na córnea. Essa demora pode favorecer a progressão e ampliar o impacto na visão", afirma. 

Entre os sinais mais comuns estão visão borrada, distorção das imagens, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e oscilações frequentes na correção visual. Segundo o especialista, a investigação oftalmológica deve ser considerada sempre que houver piora persistente da qualidade da visão. "Nem todos apresentam sintomas intensos no começo, e alguns mantêm boa acuidade visual mesmo com alterações iniciais. Por isso, a avaliação detalhada é indispensável para identificar precocemente o problema e acompanhar sua evolução", destaca. 

Outro fator importante envolve o hábito de coçar a região ocular, especialmente entre pessoas com alergias oculares. "Esfregar os olhos com frequência está associado à progressão da doença, pois esse movimento pode alterar a resistência da córnea e favorecer mudanças em sua curvatura ao longo do tempo", explica o Dr. Klaus Anton Tyrrasch. 

A confirmação diagnóstica ocorre por meio da consulta oftalmológica associada a exames específicos, como topografia e tomografia corneana, capazes de mapear a superfície ocular e detectar alterações ainda discretas. Essas ferramentas permitem definir o estágio apresentado e direcionar a conduta de forma individualizada. 

"O tratamento varia conforme a progressão e pode incluir óculos, lentes de contato especiais e procedimentos destinados à estabilização da córnea", esclarece o médico do H.Olhos. Entre as opções está o crosslinking corneano, técnica minimamente invasiva indicada para fortalecer o tecido e reduzir o risco de avanço do quadro. Em situações mais avançadas, outras abordagens cirúrgicas podem ser necessárias, incluindo implante de anel intracorneano e transplante de córnea. 

Embora ainda represente uma das principais indicações de transplante de córnea entre pacientes jovens, o acesso ampliado à informação e a identificação precoce têm contribuído para melhores perspectivas visuais e maior possibilidade de controle da doença. 

"A principal mensagem do Junho Violeta é que alterações visuais persistentes não devem ser ignoradas. O acompanhamento oftalmológico regular e a investigação precoce aumentam significativamente as chances de preservar a visão e ampliar as possibilidades terapêuticas", finaliza o Dr. Klaus Anton Tyrrasch, oftalmologista especialista em Córnea e Doenças Externas Oculares do H.Olhos.

Fonte: Target

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