Saúde | Visão

IOBH registra crescimento de 45,9% nos casos de glaucoma

Aumento registrado entre março e abril, na comparação com os dois primeiros meses de 2026, acende alerta para diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo condição afeta 2,5 milhões de brasileiros

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Maio Verde destaca conscientização sobre o glaucoma, doença ocular que pode levar à cegueira progressiva. No IOBH, registros da doença aumentaram 45,9% em março e abril. Mais de 2,5 milhões de brasileiros têm glaucoma, sendo que 70% desconhecem a condição. O diagnóstico precoce é essencial, já que a perda visual é irreversível e muitas vezes assintomática. Fatores de risco incluem histórico familiar, idade avançada, diabetes e alta miopia, podendo afetar também jovens e crianças.

Chegamos no Maio Verde, o mês reforça a conscientização sobre o glaucoma, enfermidade ocular que compromete o nervo óptico e pode levar à cegueira de forma progressiva. A condição costuma evoluir sem sinais perceptíveis, o que torna a identificação precoce essencial. O cenário chama atenção, já que no IOBH - Instituto de Olhos de Belo Horizonte, somente em março e abril deste ano, os registros da doença cresceram 45,9% em comparação com os dois primeiros meses de 2026. 

Segundo a Dra. Luciana Barbosa, oftalmologista especialista em glaucoma do IOBH - Instituto de Olhos de Belo Horizonte, o crescimento observado tem relação direta com maior busca por avaliação e avanços internos. "O aumento dos atendimentos em março e abril coincide com o fortalecimento das nossas campanhas internas e a chegada de tecnologias mais precisas de monitoramento. Variações assim são comuns quando a clínica se torna referência em exames de triagem e encaminhamentos." 

Dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma indicam que mais de 2,5 milhões de brasileiros convivem com a condição, sendo que cerca de 70% não sabem que têm a doença. A especialista alerta que a falta de informação sobre seus impactos ainda é um desafio. "O ponto que a população ainda tem dificuldade de compreender é que a perda visual por glaucoma é irreversível. Diferente da catarata, em que há possibilidade de recuperação da visão, nesse caso o tratamento serve para estacionar o avanço e preservar o campo visual existente." 

Na maioria das situações, o paciente não percebe alterações no dia a dia. "Esse conceito precisa ser reforçado. Em grande parte dos quadros, como no glaucoma primário de ângulo aberto, não há dor, vermelhidão ou qualquer sinal evidente. A perda ocorre de forma lenta, silenciosa e progressiva", explica. 

Entre os fatores de risco, alguns pontos exigem atenção especial. Histórico familiar tem grande peso, assim como idade avançada, com aumento significativo da probabilidade ao longo dos anos. Condições como diabetes e alta miopia também contribuem. 

Embora mais comum em idosos, a enfermidade não está restrita a essa faixa etária. "Existem formas congênitas, juvenis e secundárias, que podem atingir desde bebês até adultos jovens, especialmente em situações relacionadas a traumas ou uso de corticoides", destaca a oftalmologista. 

A confirmação do diagnóstico depende de uma análise completa. A avaliação inclui medição da pressão intraocular, exame do fundo do olho para verificação do nervo óptico, teste de campo visual e tomografia de coerência óptica, que permite observar alterações estruturais com alta precisão. 

Após a identificação, o acompanhamento regular torna-se indispensável. "Muitos interrompem o seguimento porque acreditam estar bem. Isso representa um erro grave. Como a visão perdida não pode ser recuperada, somente exames periódicos indicam se o controle está adequado", afirma. 

O tratamento tem como foco evitar a progressão do quadro. "O objetivo principal é controle. Trata-se de uma condição crônica, semelhante à hipertensão arterial. O uso de colírios, procedimentos a laser ou cirurgia busca manter níveis seguros de pressão ocular para proteger o nervo óptico." 

Entre os principais desafios está a adesão ao tratamento. Esquecimento de doses, aplicação incorreta e interrupção por conta própria estão entre os comportamentos mais comuns. "Outro problema recorrente é o uso indiscriminado de colírios com corticoides sem orientação médica, que pode levar ao desenvolvimento da doença", alerta. 

Como mensagem final para o Maio Verde, a especialista reforça a importância da avaliação oftalmológica regular. "O glaucoma não avisa que chegou, mas o seu médico oftalmologista pode detectá-lo", finaliza a Dra. Luciana Barbosa.

Fonte: Target

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