O regulamento prevê que o pagamento das operadoras pelo uso da infra-estrutura comece em até seis meses do início das transmissões, o que fez com que em maio algumas delas já começassem a pagar.
O processo, lançado no final do ano passado, atraiu as quatro operadoras de telefonia móvel do Estado - Vivo, Claro, TIM e Nextel - e mais recentemente a Oi, que se prepara para estrear em outubro no mercado paulista.
Pelo regulamento, no primeiro ano de transmissão cada operadora deve pagar 73,3 mil reais mensais à Companhia do Metropolitano, o que leva a um total de 4,4 milhões de reais em 12 meses.
Os valores, entretanto, são reajustados ano a ano e chegam a 93,3 mil mensais no quinto ano, o equivalente a 5,6 milhões de reais em 12 meses.
O total pode ser ainda maior, caso a "aeiou" (antiga Unicel) se junte ao grupo de operadoras, o que não aconteceu até agora, como explicou José Jacques Yazbek, gerente de negócios da Companhia do Metropolitano.
Por enquanto, o celular já pode ser usado na Linha 4 (Verde) do Metrô, trecho subterrâneo que hoje tem 10,7 quilômetros e passa por toda a extensão da Avenida Paulista.
Nas demais linhas Azul, Vermelha e Lilás, entretanto, que concentram a maior parte da população usuária e 47 estações, ante as 11 da Linha Verde, o serviço só deve estar disponível no final deste ano.
Como explicou Yazbek, em entrevista à Reuters, o regulamento não estipulou prazo para que o processo estivesse finalizado, somente a data a partir da qual as operadoras deveriam começar a pagar pelo uso da infra-estrutura.
Por isso, "é do interesse delas" que o recurso fique pronto o quanto antes para que o tráfego de telefonia gerado possa compensar o pagamento do aluguel, segundo ele.
Para dividir os custos, as operadoras implantaram compartimentos únicos, que abrigam as antenas de cada uma delas.
Segundo Yazbek, a estrutura que está sendo montada envolve a terceira geração de telefonia móvel, o que vai permitir, além das conversas durante o trajeto, também o acesso à Internet móvel. "O regulamento envolve voz e dados", esclareceu.
PLANO PARA OUTROS TIPOS DE RECEITA O Metrô também pretende estudar outras formas de geração de receita com o sistema novo de sinalização, controle e telecomunicações que será implantado até o final de 2010.
Entre as opções, o Metrô poderá comercializar o acesso à Internet. Ele ressalta, no entanto, que "ainda não há nada definido" sobre isso, mas a estrutura permitirá opções como essa.
O Metrô paulistano gera atualmente algo entre oito e nove por cento de sua receita com serviços não-tarifários (não relacionados à tarifa da passagem). No último exercício, foram 84,7 milhões de reais dentro dos quase 1 bilhão de reais faturados pela companhia.
Desse montante, como explicou Yazbek, a maior fatia vem da mídia veiculada nos trens e estações: 24 milhões de reais.
Segundo ele, a receita que a empresa vai agregar com a rede de celular ainda é pequena diante da receita total, mas "é uma cifra importante".
A meta da área de negócios não-tarifários é chegar aos 100 milhões de reais em 2010, cifra que a companhia pretende alcançar com a instalação de shoppings, teatros e drogarias na área das estações.