A coluna Serjão Óptico começará a contar as histórias sobre a trajetória dos profissionais que vêm se destacando e fazendo a diferença dentro do segmento, além é claro de também continuar trazendo as novidades do nosso mercado.
Acompanhe a primeira delas abaixo.
Contando o lanche
Paulistano da zona leste. Pais paulistas, avós paternos de origem japonesa e maternos nordestinos. Menino que desde os 11 anos de idade já trabalhava ajudando seu avô numa barraca de churrasquinho próxima a construção do Shopping Aricanduva. Aos 14 anos, trabalhou como estoquista num depósito de material de construção.
Em paralelo foi estudando técnico em contabilidade. Conseguiu um estágio no departamento de auditoria, no Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo.
Ainda como estagiário, foi trabalhar na Polícia Federal, nos postos de emissão de passaporte. E, mesmo como estagiário, o jovem achava o máximo ser "da Federal". Ingressou na Universidade Mackenzie para se graduar Contador, uma carreira que ele escolheu por vontade própria, já que não tinha nenhuma referência prévia ou histórico de família na profissão.
Dinheiro contado
Mas, desde o início do curso, já tinha uma questão contábil e financeira para resolver: suas economias seriam suficientes apenas para o primeiro semestre do curso. Ele tinha que batalhar por uma bolsa de estudos. Conseguiu uma de 80%. Em seguida, conquistou uma vaga de assistente no Unibanco, dentro do Shopping Aricanduva, onde trabalhou como caixa e tesoureiro por quatro anos. Essa experiência, além do conhecimento prático na profissão, ajudou o jovem a se livrar um pouco da timidez.
E sobre vencer a timidez ele diz: "Na verdade, não deixamos de ser tímidos. Aprendemos a lidar com ela de forma mais inteligente, sem deixar que ela impeça você de conquistar o que deseja."
Ele lembra de uma experiência interessante:
"Houve um problema e todos foram chamados para uma reunião de chamada de atenção geral. E eu, mesmo sendo tímido e um dos mais jovens, me posicionei diante da situação. Por conta disso, chamei a atenção do diretor regional do banco presente na ocasião. Logo depois, fiquei como o segundo melhor entre todos, quando o banco avaliou os funcionários do Brasil para ver quem dominava os processos internos."
Mas mesmo com uma carreira se desenhando na instituição financeira, ele preferiu migrar e começar do zero em outra empresa.
Recomeçando do zero
Uma nova oportunidade para trainee na maior empresa de serviços profissional do mundo onde ele já tinha um sonho de trilhar uma carreira. E lá foi auditor por 10 anos e, nesse meio tempo, fez intercâmbio no Canadá por 18 meses. E quando estava próximo de se tornar gerente sênior da empresa, mudou de planos novamente.
Alterou a rota e foi trabalhar em uma empresa de petróleo, mas não ficou muito tempo. Pensou em tirar uns dias de férias e viajar. Porém, o mercado para profissionais de finanças estava muito aquecido e ele foi convidado e indicado por um amigo e headhunter para fazer várias entrevistas. E uma delas foi para Controller de uma das maiores empresas do segmento óptico.
Logo ele assumiu a posição de Diretor Financeiro onde permaneceu por 4 anos, de 2012 a 2016. Porém, em Agosto de 2016, saiu para assumir um posto em uma empresa de tecnologia para a indústria farmacêutica.
Uma ligação para mudar a trajetória
Mas, a sua trajetória na indústria dos óculos foi apenas interrompida. Uma ligação mudou tudo. Recebeu o convite de Luca Dalla Zanna para participar do processo seletivo para CEO da Marchon Brasil. E, durante o processo de entrevistas, já foi desenhando um projeto para a empresa, pela qual foi se apaixonando, mesmo antes de aceitar o novo cargo.
E em 15 de outubro de 2018, Marcelo Kitsuda assume o posto de CEO da Marchon Eyewear Brasil. Uma das maiores fabricantes e distribuidores de óculos do mundo.
Sentindo o cheiro do asfalto
E como diz um amigo de uma grande empresa de recrutamento, nos três primeiros meses na liderança da Marchon, Kitsuda, percorreu o Brasil para conhecer pessoalmente os lojistas, estreitar o relacionamento e entender a necessidade de cada um. Ele quis saber por que compravam as armações e marcas da Marchon. Mas queria saber também quais eram os problemas e dores enfrentados nos pontos de venda, no "cara a cara" com os clientes. E foi assim que reuniu informações importantes para traçar novos caminhos para o comercial.
A partir daí, foram criados projetos que envolveram treinamentos robustos em PNL, técnicas de vendas e apresentação sobre as marcas.
Toda essa iniciativa gerou ainda em 2019, um crescimento de 15% nas vendas, mesmo sendo um período de estagnação do mercado.
Em 2020, veio a pandemia. Ainda assim, mesmo com quase três meses fechados, a Marchon realizou uma queda de apenas de 11%, melhor que o resultado mercado geral que acumulou queda de 17% no período. "Pacheco, nosso diretor comercial teve a sábia idéia de convocarmos uma reunião para debater como iríamos nos posicionar no período de lockdown, e decidimos pelo apoio financeiro aos representantes. Antecipamos 50% do valor que eles recebiam em média, já que eles não tinham como vender nesse período e, automaticamente, não teriam rendimento. Essa ideia foi tão importante que a Marchon mundial replicou em outros países." relata Kitsuda.
E, na outra ponta, para os clientes lojistas que tiveram seus negócios fechados e ficaram literalmente desesperados, a Marchon disponibilizou Lives com profissionais renomados para falar sobre gestão de crise e do pensamento, gestão de vendas on-line e outros. O importante era comunicar e estar próximo do óptico e abastecê-lo de coisas boas para pensar e agir.
Balanço dos 4 primeiros anos como CEO
Apesar de todos os obstáculos enfrentados, crescemos mais de 70%. Hoje a Marchon tem uma fatia entre 5% e 10% no geral, deste mercado gigantesco, e de 15 a 20% no mercado de produtos premium.
Valores intangíveis
Como mensagem final, resumindo neste último parágrafo a proposta de valor que fica desta conversa com este grande cara que é o Marcelo Kitsuda, hoje, sem dúvida, uma das principais referências do segmento óptico, é que acreditar na importância de estar próximo do varejo, enxergar que o desenvolvimento do lojista é fundamental se quisermos expandir o mercado, valorizar os representantes para que eles possam atuar agregando valor no ponto de venda, colaborando com o lojista no cara a cara com o cliente, é a fórmula de sucesso para alcançar o crescimento, os valores tangíveis e intangíveis para fortalecer e conquistar cada vez mais espaço para o nosso segmento.
Serjão Óptico