Durante muito tempo, falar sobre lentes significava falar sobre grau, correção visual, foco e nitidez. E, claro, tudo isso continua sendo fundamental, mas o mundo mudou. O comportamento visual mudou. A rotina mudou. E as pessoas mudaram ainda mais.
Faz alguns anos que passamos boa parte do nosso dia olhando para várias telas ao mesmo tempo. Trabalhamos diante de computadores, respondemos mensagens pelo smartphone, assistimos a vídeos no tablet, navegamos pelas redes sociais e, muitas vezes, terminamos o dia exatamente como começamos: olhando para uma tela ou duas telas, no mínimo.
E esse é um dos novos ângulos que o mercado óptico precisa enxergar. Porque um dos grandes movimentos de transformação do futuro do Eyewear, dos óculos e lentes, está para além da correção do grau. Escolher lentes para que o cliente veja com foco e nitidez é o básico. E, como digo, óculos não são acessórios com funções básicas. São saúde, mas também são moda e tecnologia. Óculos são vestuário. São feitos para vestir e para oferecer uma experiência visual que eleve autoestima, autoconfiança, performance, capacidade cognitiva e bem-estar para viver a vida de forma mais feliz e bem sucedida.
A chamada vista cansada, ou presbiopia é uma realidade para todos após os 40 anos.  E ela ainda pode vir combinada com astigmatismo, a miopia, a hipermetropia. E é nesta fase da vida que entram as lentes multifocais, capazes de proporcionar diferentes zonas de visão e a liberdade de usar óculos sem a necessidade de ficar colocando e tirando do rosto para focalizar de perto e de longe.
Porém, existe uma nova camada nessa conversa. O consumidor contemporâneo não vive apenas entre ver de  longe e de perto. Ele vive entre múltiplas distâncias, múltiplos dispositivos e múltiplas demandas visuais. 
O smartphone está a poucos centímetros dos olhos. O monitor está a uma distância intermediária. A televisão está mais longe. E, entre tudo isso, existe uma sucessão constante de mudanças de foco e atenção.
Se olharmos para essa transformação em perspectiva, o salto é impressionante. 
Nos anos 2000, nossa exposição às telas era muito mais concentrada em computadores e televisão, e o consumo para lazer dependia da disponibilidade física desses aparelhos. Entre 2010 e 2019, a chegada dos smartphones e a expansão da internet móvel, com as redes 3G e 4G, colocaram uma tela permanentemente ao alcance das mãos e a média global de conexão já se aproximava de 5 horas por dia antes da pandemia. De 2020 em diante, o trabalho remoto, o ensino a distância e a consolidação dos feeds infinitos impulsionados por algoritmos e inteligência artificial elevaram ainda mais essa exposição: a média global chegou a aproximadamente 6 horas e 40 minutos por dia, enquanto no Brasil esse número alcança impressionantes 9 horas e 32 minutos diários. 
Em outras palavras, estamos passando uma parcela cada vez maior da nossa vida olhando para telas e isso muda completamente a conversa sobre visão. Se há 20 anos nossas lentes acompanhavam uma rotina visual muito mais simples, hoje elas precisam acompanhar um cérebro que passa horas recebendo, processando e alternando informações visuais em diferentes distâncias e ambientes. 
Neste contexto, a pergunta que o mercado óptico precisa fazer não é mais apenas "qual é o seu grau?", mas "como você usa a sua visão durante a correria da vida diária?" 
É nesse novo cenário que as lentes de alta tecnologia deixam de ser "um luxo" ou um diferencial e passam a representar uma oportunidade concreta de oferecer uma solução mais adequada à vida contemporânea.
Nos últimos anos, a relação com as telas se transformou completamente. O que antes era concentrado em momentos específicos assistir à televisão ou trabalhar diante de um computador tornou-se uma experiência contínua, móvel e praticamente onipresente. O smartphone colocou uma tela de alta resolução no bolso e transformou o celular em: televisão, computador, câmera, agenda, banco, loja, ferramenta de trabalho e principal porta de entrada para o mundo digital. Estamos mais conectados, mais informados e, consequentemente, mais expostos a uma rotina visual e cognitiva muito mais intensa. E aqui existe uma provocação importante: 
"Se investimos tanto em aparelhos com tecnologia das telas cada vez mais bem definidas, por que ainda pensamos tão pouco na tecnologia das lentes que usamos para enxergá-las?"
Nossos aparelhos evoluíram para oferecer imagens cada vez mais nítidas, cores mais precisas, maior definição e experiências visuais mais sofisticadas. Falamos em Ultra HD, 4K, 5K e tecnologias capazes de entregar uma qualidade de imagem impressionante. Mas, quando o assunto são os óculos, muitas vezes o consumidor ainda pensa apenas em "ter o grau certo". É aí que o mercado pode virar essa chave. 
"Lentes de alta performance, personalizadas e com tecnologia embarcada podem proporcionar muito mais do que a simples correção refrativa."
Lentes multifocais de alta performance podem incorporar soluções desenvolvidas para diferentes necessidades visuais, distâncias de uso, ambientes, hábitos e comportamentos. A tecnologia da lente passa a ser parte da experiência e não apenas um componente invisível dos óculos.

Para o lojista, esse é um novo ângulo de visão. A venda de lentes de alta tecnologia não deveria começar com uma tabela de preços ou com a pergunta "qual lente você quer?". Ela deveria começar com uma investigação sobre o estilo de vida e "comportamento visual" do cliente. 
Quanto tempo você passa diante das telas? 
Trabalha no computador e outras telas ao mesmo tempo?
Usa o celular o tempo todo, enquanto trabalha, ou apenas para lazer? 
Dirige à noite? 
Pratica esportes ou faz atividades ao ar livre?
Sente algum desconforto ou fadiga mental ao final do dia? 
Essas perguntas transformam uma venda de produto em uma conversa sobre comportamento visual. E quando o profissional consegue traduzir tecnologia em benefício real, o cliente deixa de comparar apenas preço e começa a perceber significado. É assim que a óptica pode sair da lógica da simples reposição de óculos e lentes e entrar na lógica da experiência, da personalização e da fidelização.
Existe aqui uma oportunidade enorme para o varejo óptico: parar de oferecer apenas produtos para a correção do grau e começar a oferecer tecnologia avançada para potencializar a experiência visual e, consequentemente, a capacidade cognitiva das pessoas.
Afinal, enxergar não é apenas captar uma imagem. A visão participa diretamente da forma como o cérebro recebe, interpreta e processa informações do mundo ao nosso redor. Por isso, a conversa sobre lentes precisa evoluir. É preciso falar sobre conforto, bem-estar, processamento visual, performance e qualidade de vida. 
É exatamente o conceito que venho provocando o mercado óptico a enxergar: parem de vender óculos. 
Vamos vender TRANSFORMAÇÃO.  Proporcionar aos nossos clientes uma experiência visual em alta definição. Vamos oferecer mais do que correção do grau. Vamos falar de visão em HD, de visão potencializada com tecnologia, de capacidade cognitiva ampliada, de redução de fadiga mental, de bem-estar e de performance. 
Porque, quando o consumidor entende que uma lente pode fazer parte de uma experiência visual mais eficiente e personalizada, ele deixa de enxergar os óculos como uma simples necessidade e começa a perceber o verdadeiro significado daquilo que está colocando para dar suporte ao seu sentido mais poderoso: a visão.
O próximo grande salto do mercado óptico talvez esteja em enxergar melhor o que o consumidor realmente precisa. Ou seja: ir além de focar na lente e passar a focar na visão do cliente.
Afinal, não faz sentido comprar um smartphone cada vez mais tecnológico, uma televisão com resolução extraordinária e um computador de última geração e continuar tratando os óculos como se fossem apenas um acessório para amparar lentes para correção da refração.
A tecnologia já transformou a maneira como vivemos. Agora, é hora de transformar também a maneira como enxergamos.
E a mensagem final de estreia da editoria "Ângulos que você precisa enxergar" é: 
No nosso mercado há novas gerações de lentes multifocais de alta performance que oferecem personalização, precisão e muita tecnologia embarcada para transformar a experiência visual dos seus clientes. 
Então, comece a enxergar novos ângulos. Porque quem entende melhor a visão do seu cliente não vende óculos e lentes. Entrega significado. Entrega uma experiência que irá transformar a visão e realidade das pessoas para melhor.
Novos ângulos que eu passei a enxergar
Há 22 anos eu uso óculos. Comecei com 0,75 grau de miopia.
De lá para cá, vieram o astigmatismo, a presbiopia e, é claro, as lentes multifocais.
Nos meus 25 anos de Mercado Óptico, tive a oportunidade de trabalhar como gestor de laboratório na ZEISS e conhecer bastante sobre o amplo portfólio de lentes, com alta tecnologia embarcada, desta marca com mais de 180 anos de história na fabricação de lentes oftálmicas.
Nos últimos meses, termino o dia com uma sensação constante de fadiga mental. Sei que a causa é muito em função de horas alternando entre computador, celular, tablet e tantas outras telas.
E em uma conversa com o Lee Johnson, tive a oportunidade de conhecer com mais detalhes a nova tecnologia em lentes desenvolvida pela ZEISS, específica para atender essa nova realidade de sobrecarga de informação e de uso de várias telas ao mesmo tempo.
E, sinceramente, tenho que confessar: mesmo depois de tantos anos de óptica, eu fiquei muito impressionado com o que vi e ouvi em pouco mais de 3 minutos de conversa com o Lee.
Por isso faço um outro convite especial a todos os profissionais que atendem clientes nas óticas: assistam a esta conversa até o final. Está postada no meu instagram @serjaooptico
Mais do que conhecer uma nova lente, vocês vão entender uma mudança de comportamento que está acontecendo diante dos nossos olhos e como a tecnologia das lentes ZEISS ClearMind podem ajudar a responder a esse novo desafio.
Em breve volto aqui para falar da minha nova realidade com as minhas novas lentes para redução da fadiga mental.